quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

TRABALHO ESCRITO (RELATÓRIO)


Objetivos:

Com a elaboração do trabalho escrito proposto, você terá a oportunidade de:
  • Aprofundar, aprimorar e refletir sobre os conhecimentos de Morfologia do Português, um dos níveis de análise da linguagem, com os quais entrou em contato durante o segundo semestre de 2012-13;
  • Refletir acerca das concepções e teorias fundamentadoras da descrição mórfica do Português;
  • Analisar dados do Português;
  • Praticar a escrita acadêmica;
  • Elaborar relatório acadêmico (ensaio, artigo, monografia).

Orientações gerais:

O trabalho que você vai escrever (e apresentar) é um relatório do estudo feito na disciplina Morfologia do Português, durante o segundo semestre letivo. Relatório "é um texto de natureza analítico-expositiva, no qual são apresentados os resultados de um [estudo] observado ou da análise de dados coletados durante uma pesquisa. (...) funciona como uma prestação de contas ao final de uma atividade ou pesquisa específicas." O relatório científico/acadêmico - de pesquisa ou de estudo - apresenta o desenvolvimento e as conclusões de uma pesquisa ou de [estudos] científicos." (ABAURRE; ABAURRE; PONTARA, 2010, p. 466. Adaptado)  Trata-se de um gênero discursivo, com finalidade e circulação específicas. Por isso, apresenta também estrutura e linguagem específicas. 

É um texto de caráter analítico-expositivo, com apresentação de evidências, exemplos comprobatórios. Deve ser redigido em linguagem clara (sem ambiguidades nem pluralidades de sentidos), concisa e objetiva (informações diretas, sem rodeios nem enfeites desnecessários). Deve-se evitar avaliações e visões particulares, pessoais; não fazer juízos de valor; evitar o emprego de linguagens figuradas; e priorizar enunciados sintaticamente organizados com a ordem direta. 

A estrutura do relatório deve conter uma introdução, exposição - apresentação dos dados e discussão e análise do que representam esses dados para a proposta de estudo. A produção/organização do relatório (trabalho escrito) não pode perder de vista que se trata da produção de uma unidade, portanto, deve-se observar a sequência e a interligação entre as partes que compõem o todo. Para auxiliar nessa organização, sugiro que o trabalho seja estruturado em, pelo menos, três partes, além da introdução, conclusão e referências. Pode haver ainda, se for necessário, anexo e apêndice.

Estrutura do relatório:

Capa
Folha de rosto 
Sumário
Introdução (retomar o programa da disciplina)
Apresentação do que trata o texto, ou seja, o que o leitor vai encontrar no texto: exposição da questão central do trabalho - formas de estudo das estrutura morfológica das línguas naturais; os objetivos gerais - Identificar e reconhecer elementos morfológicos em diversas línguas. Identificar a unidade mórfica típica de línguas de diferentes tipos linguísticos. Descrever os processos morfológicos de diferentes línguas naturais; os procedimentos adotados na análise e o suporte teórico (linha teórica, conceitos, categorias de análise, modelos de análise).

1. Propostas de descrição mórfica do Português (Joaquim Mattoso Câmara Jr. e Maria Carlota Rosa) 

a) aqui entram todas as atividades propostas e realizadas ao longo do semestre, com o objetivo de levar à apropriação das propostas de descrição do Português.

b) reflexão acerca das propostas de descrição do Português relacionadas às teorias e aos modelos teóricos propostos para a análise das línguas naturais, estudados em Morfologia no semestre 1.

2. Descrição mórfica do Português

c) classificação das formas da língua: formas livres, formas presas e formas dependentes
d) o sentido e as funções de cada uma das formas
e) a classificação das formas como morfemas do Português
f) processos de formação de palavras
g) o nome e suas flexões em Português - o nome comum e o nome próprio
h) o verbo e suas flexões em Português - classificação dos verbos

Reflexões sobre o estudo realizado.

3. Análise das práticas de nomeação em Goiás.
levantamento dos dados
categorização dos nomes próprios
interpretação e discussão dos resultados

Reflexões sobre o estudo realizado.

Considerações finais
Interpretação, análise e discussão dos resultados. Podem ser apresentados questionamentos e recomendações aos procedimentos de categorização e estudo das práticas de nomeação no Brasil e sobre a descrição mórfica do Português.

Referências

Todos os autores/obras e sites consultados para a realização do estudo.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A INVENÇÃO DA MENTIRA

por Jim Davis http://www.garfield.com/
http://deposito-de-tirinhas.tumblr.com/image/36593041624

terça-feira, 27 de novembro de 2012

UM BREVÍSSIMO CONTO:

Maria e a névoa (por Isaias Martins)
            Cicio, cicio
Dizia ela ao vento
Como quem doma cavalos.
Isaias Martins
          Tudo acontecia dentro de si. Para ela tudo era bem concreto e palpável, mensurável e subjetivo em seu interior. Tal idiossincrasia paradoxal prendia-a nos palácios emocionais de sua alma e nos castelos de sua mente.
&
          Mesmo sendo açoitada pelo sono, Maria deixou o seu quarto naquela noite quente de domingo. Quando chegou ao quintal não encontrou o que queria. Buscou refrigério olhando para cima, atraída pela claridade da lua nova.
          Havia névoa inoportuna na superfície lunar. Névoa que Maria nunca saberá do que é feita. No entanto, a mulher sabia que aquela névoa era sua inimiga e que não a deixaria encontrar a solução para o seu conflito íntimo.
          Maria enraiveceu-se. Apontou dedo firme para a lua, como quem acusa e ameaça. Gritou como uma louca, imprecações inéditas e antigas. Mas, com indiferença, a névoa insistia em encobrir aquela cena singela e aprazível, que poderia dissipar o tumulto dentro de Maria.
          Sim. A névoa encobria um tal Jorge e um dragão. Enfrentaram-se brutalmente há algum tempo, porém, agora brincavam de roda. Isto era maravilhosamente incrível e inspirador.
&
          Logo, esta névoa agitava-se em rodopios celestiais, avolumava-se rapidamente e descia da lua até ao quintal de Maria em poucos segundos. Colocava-se ante a pequena e magra mulher, a poucos centímetros apenas. Isto a transtornava. Ela sempre pensava que morreria, mas nunca morre. Consegue apenas dizer Cicio, cicio.
         Sempre quando tinha lua nova Maria passava por isto: a mesma agonia, a mesma névoa na alma, a mesma raiva, a mesma frustração.
        A mulher completara no dia anterior 67 anos. O martírio se repetia há 51. Desde aquele acontecimento...
&
         Ainda trêmula e molhada, Maria voltava para seu quarto. Colocava um travesseiro entre as pernas. Cobria-se completamente. Em posição fetal e dizendo Cicio, cicio, ficava até dormir.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

OBIAH: Carta da comunidade Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/...

OBIAH: Carta da comunidade Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/...: Nós (50 homens, 50 mulheres e 70 crianças) comunidades Guarani-Kaiowá originárias de tekoha Pyelito kue/Mbrakay, viemos através desta ca...

quarta-feira, 17 de outubro de 2012


MINICURSO CONPEEX/2012


ENSINO INTERCULTURAL E TRANSDISCIPLINAR DE PORTUGUÊS NA EDUCAÇÃO BÁSICA

RESPONSÁVEL:    Profª Drª Tânia Ferreira Rezende
REALIZAÇÃO:        OBIAH Grupo Transdiciplinar de Estudos Interculturais da Linguagem
PERÍODO:               dias 22 e 23 de outubro de 2012, das 8h as 11h30
LOCAL:                    sala 33, piso inferior da Faculdade de Letras/Campus 2 UFG
INSCRIÇÃO:            obiahpml@gmail.com

DESCRIÇÃO: O objetivo do minicurso é apontar estratégias de ensino de português para a Educação Básica, de formatransdisciplinar, considerando áreas mais próximas da disciplina Língua Portuguesa, como a Literatura e as artes em geral, e áreas mais distantes, como a Matemática e a Física; e numa perspectiva intercultural, considerando a história e os espaços da língua e de seus falantes, as práticas reais de uso da linguagem e as experiências sociais, culturais, ideológicas e afetivas dos participantes coma língua portuguesa, em particular com o ensino e com a escrita em português na escola. 

Profª Tânia Rezende 


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Reverso do retrocesso: Entre o circo e a escola privada (Pt.1)

Reverso do retrocesso: Entre o circo e a escola privada (Pt.1): Meu conselho de “ educador ” é: tire o seu filho da escola e matricule-o, no máximo, em um circo. A educação brasileir...

terça-feira, 18 de setembro de 2012

"Jumar", uma língua simulada a partir do Hebreu

Esta postagem refere-se à simulação de uma língua que nomeamos “Jumar”, a qual integra um trabalho de descrição e teorização morfológica apresentado à Profª  Tânia Rezende como critério avaliativo. Seguem os dados:


1) Blicat        ‘ligar’
2) Blicattot    ‘ele ligou’
3) Blicattat     ‘ela ligou’
4) Blicattout   ‘nós ligamos’

            Observem que a composição das unidades 1 e 2 revelam que a primeira constitui a base para a formação da segunda ( e de todas as formas seguintes). Logo, nesta língua, a raiz é expressa, ao se tratar de verbo, sempre sob a forma do infinitivo. Além disso, as formas 2, 3 e 4 apontam uma oposição na expressão e no conteúdo entre /-tot/ ‘ele’, /tat/ ‘ela’ e /out/ ‘nós’, o que , dada a artificialidade da língua, nos permite certificar esta análise. Entretanto, há de se observar certas irregularidades nesta língua, as quais podemos verificar nos seguintes dados:

5) Blitactateé        ‘Ela ligou-me’
6) Blitacauzié       ‘Eles ligaram-te’

            Nestas unidades apresentadas, podemos observar que há uma mudança morfofonêmica denominada metátese - fenômeno que consiste na transformação da ordem dos fonemas -, verificada em todas as expressões que contêm pronomes, ocasionando assim, uma permutação entre as duas últimas consoantes presentes na raiz da “palavra”. Isso pode ser verificado na ocorrência de /c/ quando seria de esperar /t/, segundo os dados acima referidos.
            Outra importante reflexão está na comparação das unidades 5 e 6 com as unidades 2, 3 e 4, as quais permitem identificar os morfemas /eé/ ‘me’, /auz/ ‘eles’ e /ié/ ‘te’; capazes de nos revelar os seguintes pares morfêmicos: /tat/ ‘ela’ e /tot/ ‘ele;  /eé/ ‘me’ e /ié/ ‘te’ (pertencentes à classe dos pronomes). Portanto, a língua “Jumar”, como foi observado, é divisível, basicamente, em dois ou três segmentos: tema + agente + pessoa sujeita à ação; e seguindo, em geral, esta ordem.
            Podemos observar que esta língua fantasiosa segue em essência a organização da língua hebraica, uma vez que esta nos serviu de base tanto na criação como na descrição daquela. 
Observem os dados a seguir:

               1) ktb  'escrever'
2 ) katab 'ele escreveu'
3) katib 'escrevendo'
4) kitab  'livro'
5) maktab  'lugar para escrever'

Ao observarmos a primeira unidade, percebemos que por se tratar de uma língua semítica, o padrão mais geral para as raízes é CCC (consoante). Em 'ktb-escrever' o verbo é composto de três consoantes e posteriormente há a inserção de outras letras que configuram a mudança tanto do tempo verbal quanto de classe de palavra ou mesmo a origem de uma sentença.
Em 'katab-ele escreveu', a inserção de 'a-ab' origina a conjugação do verbo em terceira pessoa do singular referente à primeira unidade. Isso ocorre também 'katib-escrevendo': ao inserir 'a-i' na raiz tem-se um verbo em gerúndio.
As unidades 4 'kitab-livro' e 5 'maktab-lugar para escrever' diferem-se das exemplificadas anteriormente pelo fato de que não se tratam de verbos. Em 4 observa-se que a inserção de 'i-a' deu origem a um substantivo. É interessante observar que  se fôssemos considerar apenas a glosa dos dados, diríamos que se trata de um fenômeno irregular, pois a relação de derivação que há entre 'escrever' e  'livro' não é direta. Todavia, estamos tratando de uma língua semítica, ou seja, uma língua que não pertence ao mesmo grupo linguístico do português e, portanto, as características derivacionais diferem-se não somente em relação ao fator morfológico, mas também semântico da língua.
Esse fenômeno também acontece parcialmente na unidade 5: a inserção de 'ma-a' originam uma sentença, ou seja, tem-se um substantivo masculino singular e uma preposição que se relacionam com verbo.
Desta forma percebemos que a língua em questão apresenta modelos de derivação morfológica diferentes do português. Isso acontece, sobretudo porque se tratam de línguas cujos grupos linguísticos são diferentes (semita e indo europeu). A unidade mórfica que possibilita a transformação das palavras analisadas são os infixos, ou seja, morfemas que se inserem por completo no interior da raiz. É muito interessante observarmos que esse processo denominado 'infixação' propicia mudanças radicais no sentido da palavra: um verbo que origina verbos conjugados, em tempos verbais diferentes e até mesmo a origem de outro substantivo que não possui relação direta com a raiz. Assim, fica-nos claro que o impacto desse fenômeno morfológico causa diferentes resultados nas diferentes línguas existentes.
Logo, é visível a complexidade destes sistemas linguístico, uma vez que compreendem "fatores" intensamente distintos dos que nos é comum na língua portuguesa, fato que nos exige uma atenção cuidadosa e nos possibilita direcionar um olhar diferenciado sob o objeto em questão.


Jullyana Correa Ribeiro
Marco Aurélio Tomaz Cardoso





segunda-feira, 17 de setembro de 2012

"Uma pessoa adulta e com uma formação média ou elevada reconhece entre dez mil e 15 mil palavras. Tendo em conta que a língua portuguesa tem cerca de um milhão de palavras, isto quer dizer que utilizamos apenas 1% a 1,5% dos seus recursos vocabulares.

Este fato deixa-me perplexo perante a forma como por vezes olhamos para os jovens e lhes condenamos à utilização de novas palavras ou perante as polêmicas à volta do acordo ortográfico. O aparecimento de umas poucas novas palavras ou a alteração da grafia de outras tantas não tem qualquer expressão na imensidão de palavras que podemos usar. Por exemplo, um livro com cerca de 200 páginas (escrito por um bom escritor) não terá mais de 50 mil palavras; não contando com as palavras repetidas e os artigos, sem rigor, um livro deve conter 12 mil palavras diferentes (por isso, é que recorremos tantas vezes ao dicionário).

Quer isto dizer, também, que poderíamos escrever várias versões do mesmo livro recorrendo apenas a sinônimos (entre outras coisas, por isso é que uma tradução pode transformar um livro noutro completamente diferente). O resultado, contudo, poderia soar mais a um dialeto africano ou a um dialeto de uma tribo nativa da América do Sul do que propriamente ao português."


Jaime Bulhosa